Como diz o nome, objeto é a função sintática na frase que recebe a ação expressa pelo verbo. Assim, temos o velho clichê: “O povo não pode ser objeto da história, mas sim sujeito”. Retórica, papo furado.

Há verbos transitivos, isso quer dizer que a idéia precisa transitar por eles para buscar um complemento. Assim, aproveitando o embalo:

O governo privatizou as estatais.

Sim, senhor, quem privatiza, privatiza alguma coisa. Ou seja, o verbo privatizar precisa de complemento, por ser incompleto na sua origem. Compare:

A oposição não descansa.

No sentido de tranqüilizar-se, quem descansa, descansa, e pronto. É verbo completo na sua essência. O povo não descansa enquanto não vir os corruptos na cadeia.

Os corruptos correm da lei.

O verbo correr não exige complemento, os corruptos podem correr juntos, acompanhados, com os amigos, em torno de Brasília. Todas essas idéias não funcionam como complementos, mas como termos acessórios que dão mais precisão informativa à frase.

Portanto, observemos o verbo votar. Quem vota, vota em alguém. Com esse significado é verbo incompleto,  por essência sofre de aleijume, precisa de complemento, sem o qual não vive. Votamos em alguém. A preposição indica um complemento indireto, quer dizer, um objeto indireto.

Contudo, os deputados votaram o projeto do governo em troca de verbas. Nesse caso, é transitivo direto, exigindo objeto direto, que vai direto para o bolso de alguém. Quem?

Nesse momento, é fundamental sabermos quem é o complemento indireto de nosso votar. O nome que virá depois da preposição é decorrente da cidadania. Nunca um complemento verbal foi tão importante.

Não jogue o seu complemento no lixo.

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